Stablecoins explicadas: o que são, como mantêm o valor e porque os reguladores estão tão atentos
São o dinheiro do mundo cripto e cada vez mais das finanças tradicionais. Um guia sobre os tipos de stablecoins, os riscos e as regras na Europa, EUA, Brasil e Ásia.
As stablecoins são criptoativos desenhados para manter um valor estável, quase sempre ligado a uma moeda oficial como o dólar ou o euro. Tornaram-se a peça mais usada do mercado cripto: servem para negociar, pagar, enviar dinheiro entre países e, cada vez mais, liquidar operações de bancos e empresas.
Os três tipos principais
- Garantidas por moeda (fiat): cada token é apoiado por uma unidade de moeda ou títulos de curto prazo em reserva. É o modelo das grandes stablecoins em dólar e das reguladas pelo MiCA na Europa.
- Garantidas por criptoativos: apoiadas por outros criptoativos, normalmente com excesso de garantia para absorver a volatilidade.
- Algorítmicas: tentam manter o valor com regras de oferta e procura, sem reservas completas. O colapso da TerraUSD em 2022 mostrou quão depressa a confiança pode desaparecer.
Porque os reguladores se preocupam
Uma stablecoin só vale o que valem as suas reservas e o direito de resgate. Se as reservas forem arriscadas ou pouco líquidas, uma corrida aos resgates pode quebrar a paridade. Por isso, quase todas as leis recentes exigem reservas líquidas, auditorias e resgate ao valor nominal a qualquer momento.
Há também uma questão de soberania monetária: stablecoins em dólar muito usadas fora dos EUA reduzem o controlo dos bancos centrais locais.
Como o mundo as está a regular
- União Europeia: o MiCA distingue tokens de moeda eletrónica (uma moeda oficial) e tokens referenciados a ativos (um cabaz). A revisão "MiCA 2.0" está a reavaliar os requisitos.
- EUA: o GENIUS Act criou um regime próprio para as stablecoins.
- Brasil: a partir de 1 de outubro de 2026, as stablecoins deixam de poder liquidar pagamentos internacionais eFX.
- Hong Kong: a Lei das Stablecoins, em vigor desde agosto de 2025, criou licenças para emitentes.
- Nova Zelândia: a FMA declarou a NZDD um meio de pagamento, não um produto financeiro.
Fontes consultadas
Este artigo é informativo e reflete dados disponíveis à data de publicação. Não constitui aconselhamento financeiro, fiscal ou de investimento. Consulte os termos de utilização.