A Ásia tokeniza a sério: Japão, Hong Kong e Índia levam a blockchain para o centro do sistema financeiro
Em duas semanas de setembro, três grandes economias asiáticas deram passos concretos para pôr dívida, depósitos e liquidação em blockchain.
Enquanto os EUA discutem a fronteira entre valores mobiliários e mercadorias, a Ásia está a fazer outra coisa: usar a blockchain dentro da infraestrutura financeira tradicional. Setembro de 2026 trouxe três exemplos claros.
Japão: finanças on-chain como política oficial
A 15 de setembro, a Agência de Serviços Financeiros do Japão (FSA) publicou a sua política para o ano de 2026. Pela primeira vez, inclui de forma explícita a promoção das "finanças on-chain". O objetivo é generalizar instrumentos de liquidação em blockchain, como depósitos tokenizados e stablecoins, para encurtar os ciclos de liquidação de fundos e títulos.
A medida faz parte da estratégia japonesa de "nação de gestão de ativos" e vem acompanhada de um fórum dedicado às finanças on-chain. Em paralelo, a Laser Digital, apoiada pelo Nomura, recebeu a primeira nova licença de exchange no Japão em quatro anos.
Hong Kong: títulos do Estado em blockchain
Christopher Hui, secretário para os Serviços Financeiros de Hong Kong, afirmou que as obrigações digitais emitidas na cidade representam cerca de 50% do total mundial. Hong Kong vai testar a tokenização dos Exchange Fund Bills (títulos de curto prazo da autoridade monetária) até ao fim de 2026. A CMU vai lançar ainda este ano uma plataforma de ativos digitais para emissão e liquidação de obrigações.
O território quer também facilitar a negociação de stablecoins reguladas em plataformas licenciadas. O deputado Duncan Chiu propôs que a SFC crie uma divisão só para ativos digitais, com a meta de ser um centro global até 2032.
Índia: obrigações liquidadas em rupia digital
O SEBI e o Banco Central da Índia (RBI) lançaram o Demat 2.0, que tokeniza obrigações empresariais e as liquida com a rupia digital de grosso. Na primeira ronda, a REC, a Larsen & Toubro e a IIFL Finance levantaram ₹1.025 crore, cerca de $107 milhões.
O padrão comum
- A blockchain entra pela infraestrutura, não pela especulação.
- Os bancos centrais controlam a moeda de liquidação: stablecoins reguladas, depósitos tokenizados ou CBDC de grosso.
- O retalho fica para depois: primeiro a dívida pública e empresarial, depois os produtos para o público.
Fontes consultadas
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