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Bitcoin depois da primeira subida de juros da Fed em três anos: o que os números dizem

A Fed subiu os juros a 16 de setembro, os ETFs perderam capital e o bitcoin aguentou os $75.000. Uma semana depois estava perto dos $84.000. Explicamos porquê e o que vigiar em outubro.

A 16 de setembro de 2026, a Reserva Federal norte-americana subiu a taxa de referência em 25 pontos-base, para o intervalo de 3,75% a 4,00%. Foi a primeira subida em três anos e a primeira grande decisão com Kevin Warsh na presidência. Para quem investe em bitcoin, a pergunta era simples: um ativo de risco sem rendimento aguenta um dinheiro mais caro?

A reação imediata foi menor do que se temia

Antes do anúncio, o bitcoin negociava a cerca de $75.800, quase 3% abaixo do dia anterior. Parte dessa queda tinha outra causa: na véspera, o CLARITY Act, a lei de estrutura do mercado cripto nos EUA, falhou a votação processual no Senado. O mercado entrou na reunião da Fed já pessimista.

A subida estava praticamente toda precificada pela ferramenta FedWatch da CME. Quando uma decisão é esperada, o impacto costuma vir do tom e não do número. E o tom foi duro: Warsh disse ter dificuldade em considerar as condições financeiras "restritivas" e deixou a porta aberta a novas subidas.

Mesmo assim, o bitcoin manteve os $75.000. Entre 15 e 16 de setembro os ETFs à vista de bitcoin nos EUA registaram cerca de $746 milhões em saídas líquidas, o que torna a resistência do preço mais significativa: houve vendedores, mas não conseguiram forçar uma queda mais funda.

A recuperação e o novo recuo

Na semana seguinte o bitcoin chegou a abrir em máximos de oito meses. A 23 de setembro valia cerca de $85.700. A 24 recuou para perto de $83.900, depois de uma subida forte das yields das obrigações do Tesouro americano ter pressionado os ativos de risco.

O motivo do recuo é o mesmo que preocupa para outubro: a inflação. Com o índice PCE em 3,7%, bem acima da meta de 2%, o mercado passou a apostar em mais duas subidas este ano. A 24 de setembro, o FedWatch dava 75,3% de probabilidade a uma subida em outubro e 58,6% a outra em dezembro.

O que vigiar

  • Yields do Tesouro americano. Foram o gatilho do recuo de 24 de setembro. Uma subida brusca aperta as condições financeiras e costuma levar dinheiro para fora de cripto.
  • Fluxos dos ETFs. Depois de um agosto com $3,5 mil milhões de entradas, setembro começou com saídas. O sentido desses fluxos é o melhor termómetro da procura institucional.
  • O suporte dos $75.000. Foi testado e aguentou com más notícias em simultâneo. Uma perda clara desse nível mudaria a leitura.
  • A reunião de outubro. Se a Fed subir outra vez e sinalizar o fim do ciclo, o mercado pode ler isso como alívio. Se sinalizar mais subidas, a pressão continua.

Fontes consultadas

  1. CoinDesk — Fed meeting is shaping up to be a nightmare for Warsh
  2. UseTheBitcoin — BTC holds above $75K after Fed rate hike
  3. Yahoo Finance — Crypto prices lose ground as rate-hike expectations grow (24 set)
  4. Fortune — Current price of Bitcoin for September 24, 2026
  5. Bitrue — Will the Fed hold or hike rates in September 2026?

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